"A loja abriu no primeiro dia de verão. Uma construção antiga em tons de cinza não atrai muitos olhares no centro da cidade, mas eu parecia movida a seguir adiante e desvendar aquele pequeno e ordinário mistério dos dias comuns. Era o meu primeiro ano sem o homem que, acreditei, fosse partilhar o resto da minha vida. Eu ainda não entendia aquilo muito bem. Talvez Deus tivesse outros planos, carregando-o tão cedo para longe de mim.
Não era uma loja conveniências, afinal, uma livraria ou um starbucks. Era algo melhor do que isso e mais improvável. Uma loja de discos de vinil no meio do caminho merecia uma pausa entre uma pedra ou outra, e meus infinitos tropeços daquelas férias.
Então, eu entro, empurrando a pesada porta de ferro que range a minha chegada. De repente, meu coração é como uma estrela, brilhante e suspensa dentro do peito. Eu o vejo. Ele está lá... tão alto e belo nos jeans lavados e polo branca, que eu preciso reter o grito até transformá-lo em um gemido preso na garganta. Como pode ser possível? Seus olhos são verdes agora, sua pele um pouco mais clara sem a incidência do sol. Mas estou tão certa do que sinto, que o que eu vejo é quase uma ilusão, menos real do que aquilo que não posso tocar."
- Rebecca Santiago
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